Florescimento e frutificação de Merostachys skvortzovii Sendulsky (taquara-lixa) no estado do Paraná

Dieter Liebsch, Marcelo Reginato

Resumo


Nesse trabalho é registrada a ocorrência da floração, frutificação e senescência de Merostachys skvortzovii Sendulsky no estado do Paraná. Essa espécie, conhecida vulgarmente como taquara-lixa, é encontrada ao longo de grandes extensões territoriais, principalmente na região da Floresta Ombrófila Mista (Floresta com Araucária). Foram realizadas consultas a herbários, a fim de obter registros de coletas férteis dessa espécie em eventos reprodutivos passados, além da observação fenológica nos anos de 2003 a 2006. Esses dados revelaram que o período entre uma floração e outra é de 30 a 34 anos, com duração de três a quatro anos em cada evento reprodutivo. Ao longo de 2003 a 2006, a floração se deu de outubro a janeiro e a frutificação de dezembro a março. Essas informações são importantes para entender alguns aspectos relacionados a florescimento maciço de espécies de taquaras, como “ratadas” (crescimento populacional de ratos nativos) e implicações para saúde humana, além da dinâmica de populações e regeneração de espécies florestais onde essas plantas ocorrem.


Palavras-chave


fenologia, florescimento sincrônico, frutificação maciça, ratada, hantavirose.

Texto completo:

PDF

Referências


BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. 2005. Informe Técnico nº 3/2005 – Situação Epidemiológica da Hantavirose. Brasília. 4p.

CAMPBELL, J.N. 1985. Bamboo flowering a patterns: a global view with special reference to East Asia. The Journal of the American Bamboo Society, v. 1, n. 6, p. 17-35.

CAMPOS, G.M. 2002. Estudo clínico-epidemiológico sobre a hantavirose na região de Ribeirão Preto, SP. 71p. Dissertação (Mestrado em Clínica Médica) – Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo. Ribeirão Preto.

CASTELLA, P.R.; BRITEZ, R.M. 2004. A floresta com araucária no Paraná: conservação e diagnóstico dos remanescentes florestais. Brasília: Ministério do Meio Ambiente. 236p.

CHAUHAN, N.P.S. 2002. Observations of bamboo flowering and associated increases in rodent populations in the north-eastern region of India. In: SECOND International Conference on Rodent Biology and Management. Bogor. p. 267-270. (Aciar Monograph Series, 96).

DEITZER, G.F.; SODERSON, T.R.; EDELMAN, D.K. 1985. Flowering physiology of bamboo in Puerto Rico. The Journal of the American Bamboo Society, v. 1, n. 6, p. 36-42.

FIDALGO, O.; BONONI, V.L.R. 1989. Técnicas de coleta, preservação e herborização de material botânico. São Paulo: Instituto de Botânica. 62p. (Série Documentos).

FILGUEIRAS, T.S.; GONÇALVES, A.P.S. 2004. A checklist of the basal grasses and bamboos in Brazil (POACEAE). The Journal of the American Bamboo Society, n. 1, v. 18, p. 7-18.

FRANKLIN, D.C. 2004. Synchrony and asynchrony: observations and hypotheses for the flowering wave in a long-lived semelparous bamboo. Journal of Biogeography, n. 5, v. 31, p. 773-786.

GALLARDO, M.H.; MERCADO, C.L. 1999. Mast seeding of bamboo shrubs and mouse outbreaks in outhern Chile. Mastozoología Neotropical, n. 6, v. 2, p. 103-111.

GIOVANNONI, M.; VELLOZO, L.G.C.; KUBIAK, G.V.L. 1946. Sobre as “ratadas” do primeiro planalto paranaense. Arquivos de Biologia e Tecnologia, n. 1, p. 185-195.

GONZÁLEZ, L.A.; MURÚA, R.; JOFRÉ, C. 2000. Habitat utilization of two muroid species in relation to population outbreaks in southern temperate forests of Chile. Revista Chilena de Historia Natural, n. 73, p. 489-495.

GUILHERME, F.A.G.; RESSEL, K. 2001. Biologia floral e sistema de reprodução de Merostachys riedeliana (Poaceae: Bambusoideae). Revista brasileira de Botanica, n. 2, v. 24, p. 205-211.

JAKSIC, F.M.; LIMA, M. 2003. Myths and facts about ratadas: bamboo blooms, rainfall peaks and rodent outbreaks in South America. Austral Ecology, n. 28, p. 237-251.

JANZEN, D.H. 1976. Why bamboos wait so long to flower? Annual Review of Ecology & Systematics, n. 7, p. 347-391.

MAACK, R. 1968. Geografia Física do Estado do Paraná. Curitiba: José Olympio. 442p.

NUMATA, M. 1974. Ecology aspects of bamboo flowering. Ecological studies of bamboo forests in Japan. Botanical Management Tokyo, n. 87, p. 271-284.

OLIVEIRA FILHO, A.T. de; VILELA, E.A.; GALVILANES, M.L.; CARVALHO, D.A. 1994. Effect of flooding regime and understorey bamboos on the physiognomy and tree species composition of a tropical semideciduous forest in southeastern Brazil. Vegetatio, v. 113, p. 99-124.

PEREIRA, C. 1941. Sobre as “ratadas” no sul do Brasil e o ciclo vegetativo das taquaras. Arquivos do Instituto de Biologia de São Paulo, n. 12, p. 175-195.

SENDULSKY, T. 1995. Merostachys multiramea (Poaceae: Bambusoideae: Bambuseae) and similar species from Brazil. Novon, n. 5, p. 76-96.

______. 2001. Gênero Mesrostachys. In: Wanderley, M.G.L.; Shepherd, G.J.; Giulietti, A.M. (Coord.). Flora Fanerogâmica do Estado de São Paulo. São Paulo: Ed. Hucitec. 292p. v. 1.

SODERSTROM, T.R.; JUDZIEWICZ, E.J.; CLARK, L.G. 1988. Distribution patterns of neotropical bamboos. In: Vanzolini, P.E.; Heyer, W.R. (Ed.). Proceedings of a workshop on neotropical distribution patterns. Rio de Janeiro: Academia Brasileira de Ciências. p. 121-157.

SMITH, L.B.; WASSHAUSEN, D.C.; KLEIN, R.M. 1981. Gramíneas. Flora Ilustrada Catarinense, N. GRAM, p. 911-1099.

WIDMER, Y. 1998. Flowering phenology of Chusquea bamboo with special to Chusquea talamancensis in Costa in Costa Rica. The Journal of the American Bamboo Society, v. 1, n. 2, p. 1-20.


Apontamentos

  • Não há apontamentos.


ISSN: 2446-8231

Indexadores: Aquatic Sciences and Fisheries Abstract (ASFA) | Biological Abstract | Biosis Previews | Google Acadêmico | Latindex | Qualis-CAPES | Scopus | Web of Science – Institute for Scientific Information (ISI)